Página Inicial

 

Muito além do jogo
Formar e educar o cidadão são metas que o “Sonho de Badminton” vem cumprindo

MÁRCIA MANSO

Uma raquete e uma peteca, em tese, seriam os instrumentos necessários para praticar o Badminton. Mas a convivência com o esporte tem mostrado às crianças do Centro de Desenvolvimento de Badminton (CDB) que as noções do jogo vão além de uma disputa. Educação e cidadania são trabalhados na construção de um indivíduo crítico e participativo, principalmente quando se trata de jovens em situação de risco social.

O projeto conta com colaboradores voluntários que auxiliam na formação pessoal e educacional de cada jovem, oferecendo aulas de reforço em matérias básicas como Português, Inglês e Matemática. Além disso, há o acompanhamento do rendimento escolar de cada integrante.

Para o coordenador geral José Paulo Pereira, 21, a prática do esporte ainda pode ser associada às praticas pedagógicas aprendidas em sala de aula. “Você está jogando e aprende não só a jogar, aprende a ter agilidade e pensar durante o jogo… É Matemática pura, porque entra a estratégia toda do jogo. A gente aprende.”, salienta Paulinho, que pretende se qualificar com ensino superior em Educação Física.

Henrique Soares, 15, é jogador no projeto e sua habilidade em aulas de reforço no Inglês o tornou um colaborador nas aulas ministradas pelo Centro. Uma atitude como essa gera o gosto pelos estudos e estimula o aluno a dar continuidade em projetos que parecem ser privilégio para poucos. Henrique também pretende estudar Educação Física para, um dia, trabalhar com Badminton. “Meu sonho é ser técnico, porque, para ser jogador, tem que jogar muito, mesmo. No futuro, quero ser técnico da Seleção Brasileira de Badminton.”, completa Soares.

Atitudes de colaboração mútua são incentivadas na realização do esporte que extrapola os limites da quadra. Fato que eleva a auto-estima dos participantes proporcionando qualidade de vida e perspectiva de um futuro melhor. Leonardo Douglas, 10, teve de se afastar do Centro por três meses por problemas de violência familiar. Nesse intervalo, seu rendimento escolar caiu a ponto de o garoto ser reprovado na escola. No entanto, a volta ao Badminton lhe garantiu posições no ranking nacional do esporte e ele obteve notas proveitosas na escola . “Depois que eu voltei a jogar e ter aulas de reforço minhas notas não são menores que oito.”, enfatiza Leonardo.

Consequências como estas mostram que orientações bem ministradas podem fazer a diferença na vida desses jovens. “Aqui, a gente incentiva os meninos, fala com eles para não entrarem no mundo das drogas. Em vez de estar na rua, esteja aqui.”, diz José Paulo.

Para os voluntários que participam do “Sonho do Badminton”, a recompensa está em perceber, nas atitudes das crianças e adolescentes, a mudanças na realidade em que vivem, mudanças essas que contagiam também familiares dos participantes, que passam a incentivá-los a dar sequência no esporte e nos estudos. Isso, com certeza, torna o esporte gratificante para todos os integrantes.

 


2009 - Pernambuco Jogando - Todos os direitos reservados