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Sem deixar a peteca cair
Ausência de verba e patrocínio é uma das adversidades dos
atletas gravataenses do Badminton. Mas não é a única

JADILMA ARANTES

A vontade de vencer e a luta pela realização de um sonho fazem dos meninos do Badminton mais que bons atletas: eles tornam-se craques no quesito superação. Os problemas passam pela falta de patrocínio e vão além.

Que o diga Nivaldo Vieira, 17. Todos os sábados, ele percorre uma distância de 15 Km para praticar o esporte. “Saio de casa às sete horas, venho de carro até metade do caminho e o restante eu sigo à pé,” diz o atleta, que joga há apenas dois meses e demora cerca de duas horas para chegar ao Centro.

A primeira dificuldade encontrada pelo Centro foi justamente naquilo que seria solução. Graças a um amigo na Suíça, Frank Düesberg conseguiu, de uma empresa de material esportivo, cem raquetes. No entanto, por problemas alfandegários no Brasil, apenas 10 chegaram até os meninos. E isso foi só um prenúncio das dificuldades que teriam de enfrentar.

No Brasil, talvez não haja atleta de esporte dito amador que não reclame da falta de patrocínio. Com os meninos da Odip não é diferente. Contando sessenta crianças em atividade, falta espaço para que todos viajem para disputar torneios. O coordenador geral Paulinho, 21, lamenta: “Ás vezes, só conseguimos uma Van ou mesmo só duas passagens. Ter que decidir quem vai (viajar), para a gente, que é professor, é dureza. Uns choram, reclamam, mas a realidade é essa”.

Já para Leonardo Douglas, 10, o Centro não conseguiu patrocínio para que ele fosse a São Paulo, em outubro, disputar o campeonato nacional. A ausência deve lhe custar a perda da liderança do ranking brasileiro na categoria sub-11.

Leonardo e seu irmão, Bruno Douglas, 12, também tiveram de superar um problema ainda maior, muito longe do esporte, no âmbito familiar. “Minha mãe, ano passado, levou cinco facadas do meu padrasto. Aí, eu tive que passar três meses fora do Badminton. Depois, eu voltei, treinei para valer e ganhei meu primeiro campeonato”, lembra Leonardo.

A mãe dos meninos, Maria Cristina Guedes da Silva, 33, sobreviveu e, hoje, torce para que o futuro dos filhos esteja dentro do Badminton. “Torço para que eles virem atletas. Quando tem viagem, eu dou o maior apoio a eles, batalho muito”, conclui.

É se espelhando em exemplos como o dos irmãos Leonardo e Bruno que o Centro de Desenvolvimento de Badminton encara seus desafios. Quando falta material para treinamento, quando falta dinheiro para viagem ou quando a burocracia atrapalha, não falta força de vontade. “Tenho medo de que acabe, porque falta patrocínio. Mas, como a gente sobrevive já há cinco anos, eu acredito que a gente vai aguentar firme e forte, com patrocínio ou não.”, persevera o coordenador técnico Leonardo Pereira da Silva, 19.


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